o nosso psyco mundo

o que é realidade???o q é ilusão??? vivemos no psyco mundo, cheio de falsidade e necessidades impostas, estamos a cada dia perdendo nossa indentidade pessoal, deixamos de ser o ser e passamos a ser o coletivo…..

10/2/09

novo conto

Sincronicidade.

 

6:06.

Ele acorda.

Olha para os lados, o mundo dos sonhos e a realidade ainda se confundem. Demora um tempo para ter certeza de que tudo aquilo foi realmente um sonho. Respira fundo, olha para o teto durante um minuto, não pensa em nada e em tudo ao mesmo tempo.

Levanta da cama, vai para o banheiro se olha no espelho, tem a sensação de que algo está diferente, olha dentro de seus olhos e por um instante tem a impressão de que está sendo vigiado.

7:07.

Toma café.

A idéia da rotina fica em sua mente. Porque fazer sempre as mesmas coisas. Destino? Não. Essa é uma desculpa esfarrapada para os que preferem aliviar a mente do que se incomodar e fazer algo diferente. O que esperar desse dia, tudo tem sido muito previsível, tudo muito certo. A tanto tempo faço as mesmas coisas que já nem sei mais o porquê. Pensa ele sozinho enquanto toma o café.

8:08.

No escritório.

Como sempre o mesmo tempo de atraso. É incrível como o mesmo cara idiota estaciona errado na rua causando um tipo de engarrafamento perto do trabalho. É tão igual que o atraso já faz parte do horário normal de trabalho.

9:09.

Mais arquivos, mais casos.

O de sempre, ainda não poder fazer nada. Falta pouco menos de um ano para a formatura, mas a função é a mesma, receber os clientes, os que não tem dinheiro para um bom advogado. Recolher queixas, depoimentos, esclarecimentos e encaminhar para o responsável.

10:10.

Nada mais.

Ela é linda, o estereotipo perfeito de secretária amante. Gostaria de ter algo com ela. Se eu fosse mais importante, se eu ganhasse mais. Se a vida fosse igual a um filme pornô.

11:11.

Perto da hora de comer.

Hoje é segunda feira. Prato do dia: arroz, feijão, macarrão. Batata frita, frango, carne de boi, peixe. Sempre o mesmo.

Ele percebe que não é somente ele que faz sempre a mesma coisa. Parece que o mundo é sempre igual.

12:12

Comer é muito bom.

O sabor já não mais encanta. Aquele peixe por mais suculento que seja não agrada mais ao paladar. A tempos como aqui, com as mesmas pessoas, e não sei o nome de ninguém. A não ser por Maria e Beti, que almoçam com o crachá da empresa. Que vontade de gritar um oi a todos, de cumprimentar aquela ruiva do canto, e mostrar para aquele babaca de óculos escuros que aqui dentro não faz sol e que não precisa bancar de bacana.

13:13.

Pausa para mente.

Prometeu a si mesmo não usar mais essas coisas, mas como todo o resto a promessa de parar faz parte da rotina diária.

14:14.

Quase hora de partir.

O que temos a fazer hoje? As vezes pensa em coisas trágicas. Imagina se alguém tenta roubar o lugar, e ele de uma forma misteriosa e corajosa salvaria o dia. Adrenalina. Só queria ter algo fora do comum em sua vida.

15:15.

No bar.

Uma cerveja, um copo e uma porção pequena de amendoins.

Nem há mais necessidade de pedir, é só sentar a mesa que o pedido chega em 5 minutos se não houver muita movimentação, em 10 se houver.

16:16.

Conversador.

O homem atrás do balcão é o melhor ouvinte com certeza, nunca reclama, nunca diz nada, nunca se nega a escutar, e também nunca escuta de verdade.

17:17.

Fugir do transito.

Hora de seguir em frente se demorar muito pega-se o transito.

Entra dentro do carro, coloca o mesmo cd, escuta a mesma música e sente a mesmas sensações.

18:18

Em casa.

Como previsto. Liga a TV. O comentarista podia dizer até seu nome, sempre estava lá para vê-lo.

19:19.

O que?

Algo o incomoda. Uma voz. Devo estar ficando doido, pensa ele.

20:20.

Acorde.

Ele acaba cochilando, algo fica batendo em sua cabeça. Uma voz. Uma voz. Uma…

Acorde! Ele levanta. O que estou fazendo da minha vida? Se pergunta. Algo está o incomodando.

21:21.

Chega.

A voz não sai de sua mente. Ele desliga a TV. Anda de um lado para o outro, percebe como tudo dentro de sua casa está no devido lugar. Como sempre no mesmo lugar, ocupando sempre o mesmo espaço e realizando a mesma função.

22:22.

Sem mais.

Uma mensagem está escrita num bilhete em cima de uma mesa. “O que tem feito com a merda da sua vida?”. Ele pensa, pensa e pensa. Levanta e decidido começa a tirar tudo do lugar. Pega os objetos dos quais ele não agüenta mais ver e joga fora. Começa a rir. Vai para o quarto, pega o dinheiro que ele esconde, todo ele, e sai.

23:23.

Apenas oi.

Ele entra no lugar onde almoça todos os dias. A noite funciona um barzinho. Ele olha para todos pega uma garrafa de cerveja e a joga no chão. Todos param o que estão fazendo e olham para ele. Quando percebe que toda atenção está voltada para ele, enche o pulmão de ar e grita em alto e bom som: OI !!!!

Vira as costas e vai embora.

00:00

Tudo é possível.

Ele anda satisfeito, algo novo toma seu ser. Um sentimento de que tudo é possível, tudo é belo, tudo está ao seu alcance.

Andando e pensando acaba encontrando aquela bela mulher do trabalho. Agora sem receio ele vai até ela. Ela percebe que ele se aproxima e sente que há algo de diferente nele.

Ele chega bem perto dela, olhos nos olhos. Agarra-lhe a cintura com o braço direito, e com a mão esquerda segura-lhe a nuca. Inclina o corpo da moça um pouco, de forma delicada, e lhe da um beijo daqueles de cinema.

01:01.

Pornô Star.

Dessa vez a vida foi igual a um filme pornô. Nunca havia feito algo assim. Foi tudo muito louco, tudo muito bom, tudo fora do comum. Imprevisível. Essa foi a melhor parte. Mas não podia terminar por ali. Ela tinha ido buscar uma bebida. Ele se trocou. Imaginava que a casa dela fosse diferente, mais elegante. Mas que se dane. Vestido saiu do quarto, encontrou com ela nua na cozinha, deu mais um beijo como aquele da rua. Virou as costas e foi embora.

02:02.

Experimentar.

O vento da madrugada batia em sua cara. Era algo reconfortante, delicioso. Essa sensação de poder fazer tudo o que quiser. Preciso experimentar mais. A simples idéia de fazer as coisas por fazer. Para saber o que sentir. Ter novas experiências.

Ele entra em outro barzinho. Ele já ouvira falar sobre aquele lugar. Só gente louca estaria ali. E por que não?

03:03.

Novos amigos.

Ele sabia que com certeza quase todos que ali estavam com ele só estavam ali porque ele mostrava estar com dinheiro. Gastava tudo o que tinha no bolso com os pedidos alheios. Mas não se importava, era um dia especial. Garotas sentavam em seu colo, homens lhe ofereciam substancias jamais vistas por ele. Ele aprendia como usar e usava.

04:04.

Novamente na rua.

As coisas já não pareciam ser as mesmas. Ele enxergava novas cores, escuta novos sons e tinha novos paladares. “A vida até parece uma festa”. As novas emoções tomavam conta de seu ser. Ele não se continha. Queria gritar. E gritava. Queria rir e ria. Queria chorar, e  chorava. Mas não de tristeza, não de tristeza. Simplesmente por chorar. Não se preocupava mais com o que os outros pensariam, não se preocupava em não ter uma justificativa para fazer o que estava fazendo ou queria fazer. Simplesmente fazia. Fazia e sentia aquilo que tinha feito e tentava classificá-lo, concluí-lo e amarzená-lo.

05:05.

Fim de noite.

Muitos te amo, muitos pedidos de namoro, casamento e sexo casual. Os rostos belos das garotas não saiam de sua mente. As risadas a todo pulmão com os novos amigos de um dia também não. Quantas filosofias, quantas idéias jogadas ao vento, quantas promessas que nem de longe seriam levadas a sério, mas naqueles momentos eram sagrados. Ele havia levado todos a sua casa. Quanta felicidade habitou aquele lugar. Por que não havia feito aquilo antes? Por que só agora a vida lhe parecia ter algum nexo?

Olhava para algumas das pessoas que ali ficaram jogadas em sua sala. Sentia uma leve náusea, um pouco de dor de cabeça. Preços a pagar.

Mas estava feliz, estava bem. Sabia que haveria muitos arrependimentos. Mas não o maior de todos. Não ter feito nada.

Foi deitar.

06:06.

06:07.

Ele acorda.

Está tudo diferente, tudo fora de ordem.

Maravilhoso.

O que você tem feito da sua vida?

criado por jose.marques.neto    21:38 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por delirios.cotidianos — 12 de fevereiro de 2009 @ 19:25

    Equilibrio é essencial!

    …como se por um instante você perdesse a linha, o fio da pipa e deixasse ela solta por esse céu enorme; mas um dia ela cai, não é mesmo?

    Ah, e por sinal…eu também gosto de amendoim! ;)

    (L)

  2. Comentário por Ká — 26 de fevereiro de 2009 @ 19:36

    Poxa vida…tenho q parar de seguir esses 13:13, 15:15…mas ñ tenho grana guardada…o q faço?? =D

    bjãooo

  3. Comentário por Eduardo — 28 de abril de 2009 @ 13:21

    Passagens de uma vida sobre uma ótica Marquesiana. Parabéns piá, muito bom o texto!

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